EGUNS
Chega de malbaratar nos cafofos! Chega de bole-bole e de mariolar
no guti-guti do brega!
E basta de poluição petroquímica.
Vou para Itaparica.
É de se ver, antes que acabe espetada por espigões.
A pele azeitonada, quase de índia, mulher resolvida, de decisões. Dety, do interior, cozinheira em pensões até o dia em que teve um sonho. Tocou-se, então, a um pai de santo em Cachoeira. Ele mandou montar seu negócio. Aí, ela se estabeleceu com a mixaria, um restaurante caseiro em Ponta de Areia.
Vive. Lutou, e bem, para chegar onde está. Cumpre todas as obrigações de filha de santo.
Vem o marido, Flávio, que me passará aos egós. Estou recomendado por quatro obás, mas preciso de sorte. Dando uma sorte e se forem com a minha cara, quem sabe me levam ao muito velho chefe do terreiro de Ponta de Areia. Depois, na continuação, passarei pelos seus filhos. Velho, muito velho, que dizem beirar os cem anos.
(ANTÔNIO, João, São Paulo: Cosac Naify. 2012. p. 471)

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